RESPONSABILIDADE SOCIAL

 

De um modo muito simples para entender, porém complexo quanto à realização concreta, entendemos “responsabilidade” como a capacidade de responder por aquilo que se pensa, que se sente e que se faz. Isso porque, na Tradição da OICD, conforme dizia Pai Rivas e nós ratificamos, entendemos o ser humano como ente biopsicossocial. Nesse sentido, a OICD como Escola de Iniciação desde 1970 responsabiliza-se por atuar no âmbito religioso e sua manifestação social em prol do bem-esta social de acordo com os métodos, éticas e doutrinas das religiões afro-brasileiras, nos núcleos do candomblé, da encantaria e da umbanda.

É por isso que em nossos terreiros, com os vários Ritos e Toques públicos e gratuitos, almejamos a cura e o desenvolvimento em todas as esferas: religiosa, social e física, conectadas e indissociáveis. Assim, nossa atuação estende-se para outras esferas além de nossas Casas: “Nossa Instituição [a OICD] tem como objetivo central as atividades religiosas. Contudo, sabemos que o espiritual se manifesta na sociedade, na cultura, na política e na economia. São, no fundo, a mesma realidade manifesta de forma mais concreta na economia e, proporcionalmente, mais abstrata no espiritual. Agir no social e no cultural com responsabilidade e harmonia aos desígnios do Orixá torna-se, portanto, um meio fundamental para a realização das atividades da OICD.” (Livro OICD – Escolas de Iniciação Desde 1970, 2019, p. 155).

É com este mote que viabilizamos, em parceria com instituições públicas de Itanhaém, a exposição “Carnaval Cultural: Entre Histórias”, a partir de amanhã, 25 de fevereiro, até 22 de março, no Fórum da Comarca de Itanhaém, em que apresentaremos temas como o nascimento do samba, arte musical oriunda dos terreiros das religiões afro-brasileiras, de cultura africana, e de suas primeiras composições, derivadas de tradição oral e coletiva. E mais: em nosso doutorado em Ciência da Religião, pela PUC-SP, para dizer o mais brevemente possível, explicamos como se deu essa transformação da música religiosa dos terreiros para o samba de Noel Rosa, por exemplo, tendo como forma intermediária o que chamamos macumba musical, e que visões de mundo entraram em choque nesse processo.

Estendemos a todxs o convite para a participação desta exposição desenvolvida pela OICD para toda a sociedade.

 

Mãe Maria Elise Rivas

Íyá Bê Ty Ogodô

Mestra Yamaracyê

 

Foto: Arquivo/Agência do Estado